quinta-feira, 5 de julho de 2012

Reprodução in vitro

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Entreguei os pontos da última ponta de força. Resido, por ora, no final do papel forçado de exercer-me enquanto ando ou paro. O poema perdeu sua forma poética e a própria derivação artística da poesia está, entre tantas, enterrada. Cultuo aos poucos os poucos cultos que me eram servos das paixões; agora e adiante, presto regra ao término acabado dos marcos automotivos que se abrem em vagas ocupações quitáveis, subdividas em várias iguais de si. Dentre tudo, farejo e busco, persigo e caço - mas somente um nada, entre um nada ou outro, encontro. Digo, porém, que deveras vivo como se fosse preciso procurar quaisquer coisas que fizessem chão ou assento concreto... O senso de sentido, também, se deixou pelos flancos e ateou duas jardas de desespero céu afora. Muitíssimas rimas possíveis caíram fatigadas no palco de saída, miseravelmente louvadas e nem sequer desejadas. E, assim, diviso novamente o temido adeus adiado a largos passos com a bênção do cotidiano.


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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Politeia

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Tenho do espectro o espírito e sua sacralidade profana, da política dos altares me escapando somente a pólis. Reconheço entre rostos cobertos a igualdade dos meus párias, pareados na lida diária do trabalho imaginário em concretude. Empresto-lhes a comoção pública em duas ou três vias impressas, para que não falte legalidade às legítimas marchas suas, nas idas e vindas da ignara turba dos falidos. Redijo de bom grado a pauta dos discursos magnos no idioma tido oficial, sem que a assinatura me pese ao caráter e vaidade. A lavratura das atas demandadas às sucursais competentes e nos autos manuais incluídas outrora faço-a ainda agora, em ritual incomparável aos tempos arcaicos quando dos instrumentos fálicos da pena industrial. Era-me repugnante ter de abortar as trincheiras para vestir os librés da urbanidade pacífica; sentia-me imprestável qual pedra de rio levada pelo fluxo eterno das águas. Mas de ora ao momento, não: embora passível de morte e equívocos similares, meu pendor decisório travou-se no decurso das coisas, firmou-se na engrenagem sistêmica e sintética da dialética ativa à qual me presto. O que me ocorria ao inconsciente, centenas de dias por ano, então passou do mundo feérico da onírica arte ao redobrado estilo verossímil do nosso andrajo atual. Mal-trajados e maltratados, pensamos estar a caminho de um futurístico amanhã, infenso e prático nos tratados naturais de direito dos povos e das suas gentes demasiado díspares. Sou tanto mais indivíduo, livre e apto à vida em contínua reprodução, quanto ao máximo intento projetar os liames desse pacto recusado, pleiteado em segredo e propagado entre arestas e parênteses indecomponíveis de passados revolucionários. E tomo-me pelo presente a encampar este mote, este fito e fardo sem meados no fim que justifiquem o mínimo moralismo dos meios. Veia e artéria de um processo, extingue-se em incompletude essa práxis sedimentada geográfica e ludicamente, repintada outras vezes ao sabor, ao gosto da inércia pobre e miserável das massas constitucionais. Tendo estado dentro e vindo de fora, recobro toda a pantomima do modus operandi dessas multidões e vendo minha mais-valia abaixo do preço científica e socialmente teorizado: a partida sai sem rumos certos, em busca de um invento perdido, de redutos calmos e confortáveis para à sombra crepuscular repousar a cabeça entre os dedos calejados das minhas mãos invisíveis.


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